
Acordei assustado e confuso. A minha cabeça doía muito, provavelmente consequência das caipirinhas que tomei durante a festa.
Olhei no relógio que marcava 15h28. Fiquei pensando que deveria consertá-lo, ou comprar um novo. Fiquei observando o ponteiro, o tique e taque. Deitei novamente, fechando os olhos e me esforçando para lembrar os detalhes do meu sonho. A minha cabeça continuava a doer.
Levantei e após um banho, fui tomar um café para despertar. A minha mãe lavava a louça, provavelmente do jantar e não se virou para dizer o seu habitual “Bom dia filho!”. Olhei no relógio da cozinha, e este marcava 12h30, já o relógio do microondas marcava 00h30. Respirei fundo e disse:
- Mãe temos um grande problema com os relógios desta casa.
- Ah, filho! O seu pai se esqueceu de programar o relógio do microondas. Mas, agora já são 12h30. Pensei em te acordar, mas imagino que tenha chegado tarde da festa.
- Pois é, cheguei sim!
Ficamos em silêncio. Observei a minha mãe, uma mulher inteligente, que tocava piano e era professora de inglês e francês, enquanto meu pai trabalhava no correios. Uma história linda a dos meus pais: uma mocinha rica foge com um cara pobre, para viver um romance proibido. Poderia até ser uma daquelas histórias de romance que alguma professora do ensino médio me obrigou a ler.
Olhei para a minha mãe, os cabelos castanhos claros com mechas de fios brancos estavam presos em um coque. Um momento um tanto nostálgico. Senti saudades do tempo em que eu era apenas um garoto e ela me envolvia em seus braços enquanto lia um livro. Um sorriso surgiu nos meus lábios e continuei tomando o meu café.
A minha mãe secou as mãos e sentou a mesa, perguntando:
- Filho está tudo bem?
- Está sim mãe. Só estava relembrando a minha infância.
- Tempos bons aquele! Também sinto saudades do meu menino magrelo.
O sorriso da minha mãe era doce e solidário. E ela sempre usava um tom de voz baixo para falar. Olhei novamente para o relógio, e minha mãe acompanhou meu olhar.
- A sua amiga Fernanda te ligou, disse que a tarde passa aqui.
Dei um suspiro fundo, me levantei e beijei a testa da minha mãe.
- Obrigada mãe.
Fui para sala e me joguei no sofá, fiquei absorto em meus pensamentos, até a Fernanda chegar e acabar com o silêncio da casa.

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