
Eduarda, era como gostava de ser chamada agora. Uma mudança e tanto, para quem sempre teve o apelido de Duda! Ela tinha o cabelo curto e loiro, olhos cor de mel, a pele era pálida e sempre usava um batom vermelho. Nos olhos de Eduarda, a tristeza tinha uma cor, pois toda vez que chorava seus olhos ficavam verdes.
A primeira vez que a vi, ela usava um vestido azul um pouco abaixo do joelho, a presilha prata prendia os cabelos para trás e a franja grande caia sobre o rosto. Ela tinha um sorriso casual e seu olhar era atencioso para quem a cercava. Não conseguia me concentrar na conversa com os amigos, apenas admirava aquela moça de estatura baixa que transparecia a doçura de uma menina e a serenidade de mulher.
Fiquei admirando a sua desenvoltura, as suas mãos pequenas e como segurava a taça. Depois de alguns minutos perguntei ao meu colega de trabalho:
- Quem é a moça de vestido azul?
Ele olhou a sua volta, e para minha decepção disse:
- Não a conheço. Pode ser convidada de alguém da empresa.
A beleza daquela moça era comum, mas me atraia de uma forma maluca. Em um segundo de distração, em que o Samuel perguntou sobre a viagem para Buenos Aires, ela sumiu.
A festa acabou e eu não a encontrei, não sabia seu nome e aquele mistério me desafiava. Aquela sensação era estranha, dolorosa, como se eu tivesse deixado passar alguém importante.
Fui embora para casa caminhando, não era longe da festa e eu precisava pensar.
Toda aquela situação me fez lembrar quando eu tinha 18 anos e senti a mesma sensação. Foi em um sábado de primavera, estava subindo a escada rolante do metrô, e ao olhar para baixo, vi uma menina, que provavelmente tinha a minha idade, olhos azuis, o cabelo loiro e comprido, usava um short Jeans um pouco acima do joelho, uma camiseta branca e um tênis rosa e branco. Ela carregava uma mochila bege e estava séria. Fique olhando para ela e quando entramos no metrô sentamos um de frente para o outro. Em um desses momentos em que olhares se cruzam, ela não desviou o olhar, e eu senti aquela sensação de “gelar o coração”. Quatro ‘estações’ depois ela se levantou e eu fiquei imóvel. Ela desceu e pela janela vi que ela me olhava. Eu fiquei parado, esperando o metrô voltar a andar. Com aquela sensação de vazio.
Pronto! Tinha descoberto o que estava sentindo novamente, um grande vazio.
Cheguei em casa, tentando fazer o menor barulho possível, entrei no meu quarto e me joguei na cama, senti a cabeça rodar e os olhos foram ficando pesados. Acabei dormindo de roupa e com os sapatos.
Sonhei com aquela linda moça de vestido azul. Eu a rodava em um campo, onde havia muita luz e ela olhava fixamente pra mim, sorrindo. Acordei tendo a certeza de que nossas vidas não se cruzaram por acaso!
