
Eu passei muito tempo ao lado da ‘Nanda’ e até desconfio que ela realmente saiba tudo sobre mim, mas prefiro negar, ao menos quando ela está por perto.
Já na minha casa, eu fiquei pensando no que a minha amiga “sabe tudo” havia dito, e após um tempo concordei mentalmente que o que estava sentindo era apenas curiosidade. Apenas curiosidade, repeti pra mim no silêncio do meu quarto.
Durante a tarde, participei de uma reunião da família por parte de mãe, onde diversas pessoas resolveram me lembrar do quanto eu era magrelo quando pequeno, dos meus dentes tortos ou de como eu corria na hora que alguém anunciava que eu precisava tomar banho. Elas também não esqueceram os episódios desastrosos, como o que eu quebrei o vaso caríssimo da minha avó Mônica, e para esconder enterrei no jardim. Foram momentos de risadas e descontração.
Entre uma conversa e outra algumas pessoas me questionaram sobre como estava minha melhor amiga. Eu sentia que existia algum tom malicioso quando pronunciavam a palavra amiga. As pessoas não acreditavam muito que éramos apenas e somente amigos. Mas, eu realmente não me importava, tinha a certeza de que sentia por ela um carinho de irmão.
